Qual resposta você gostaria de dar? // Crônica Médica

[EXPERIÊNCIA DE VIDA – Nem leia se não quiser pensar…]

Hoje eu e outros professores estivemos em uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) com fins acadêmicos e na companhia de alguns alunos de medicina. A disciplina em que sou professor na universidade onde trabalho, prevê esta atividade, então estávamos nós para conduzi-la. O objetivo de aprendizagem do dia fora registrar a “história de vida” da pessoa idosa. Os acadêmicos dividiram-se em duplas e… (no final eu conto o que aconteceu com os acadêmicos).

Lá na ILPI vivem, neste momento, 215 pessoas com mais de 60 anos, e vários são os motivos para que agora eles estejam fora do ambiente familiar de origem. Uns por auto-negligência, abandono, outros por violência psicológica, física, negligência, violência financeira (ou econômica) e até mesmo violência sexual (Você acabou de aprender os 7 tipos de violências que existem contra a pessoa idosa).

MAS ONDE QUERO CHEGAR?

Algumas situações em nossas vidas nos estimulam à reflexão; a morte de alguém próximo, nos faz pensar sobre “o sopro da vida”, um acidente de trânsito, nos remete aos cuidados que devemos ter ao volante… essas reflexões são até mesmo esperadas e pertinentes. Talvez seja explicada pela psicologia por algo relacionado ao instinto de sobrevivência ou aprendizado. Não sei ao certo.

Ao ver aqueles idosos esta tarde, a maior parte prestativa com os acadêmicos de medicina ao responder questionamentos sobre suas histórias de vidas, logo veio a seguinte pergunta à minha mente.

– SE VOCÊ FOSSE UM DAQUELES IDOSOS, QUE HISTÓRIA GOSTARIA DE CONTAR?

Tentei encontrar alguma resposta por alguns segundos, mas logo voltei à realidade para discutir sobre delírio, delirium com o meu amigo, o prof. Allan. Seguimos naquela atividade acadêmica e prática sem devaneios até o final.

Ao voltar voltar para casa, no carro sozinho, tive mais tempo para refletir sobre o questionamento mental que havia feito para mim mesmo anteriormente (Que história de vida eu gostaria de contar se eu fosse um daqueles idosos?). Fiz isto ao som de Maroon Five, único conteúdo em áudio disponível no veículo (além do MedCast).

– SE EU FOSSE UM DAQUELES IDOSOS… QUE HISTÓRIA EU GOSTARIA DE CONTAR PARA AQUELES ACADÊMICOS DE MEDICINA?

Acredito que escolhemos a vida que temos (pelo menos em sua maior parte do tempo). Posso escolher meus amigos, posso escolher se estudar ou não, posso até pensar que escolho em quem vou votar, embora as diferenças sejam discretas entre um e outro. Posso escolher se vou cursar medicina ou não. Enfim, escolho algo todos os dias.

Eu escolho apenas pensar, ou decido compartilhar minha experiência através deste texto, para gerar aprendizados e reflexões em você que está lendo este enorme conteúdo, neste exato momento em que você também decide, entre esta enxurrada de informações que existe aqui no facebook, parar uns minutos e buscar alguma informação relevante a partir que vos escreve (Daniel Coriolano, muito prazer).

O resultado dessa soma de escolhas que fazemos a cada momento tem um nome = VIDA.

Nossa VIVA é feita de cada um dos segundos em que optamos por fazer ou não fazer algo, ir ou não ir para algum lugar, amar ou odiar, sorrir ou chorar, sentir ou imaginar. A história que vamos contar um dia está sendo escrita neste exato momento.

Neste livro já temos muitas páginas preenchidas (no passado), o problema é que não sabemos se pela frente ainda temos algumas poucas linhas para serem preenchidas ou inúmeras páginas em branco.

Eu, você e as outras pessoas que já abandonaram o texto antes de chegar nestas linhas finais, só temos a certeza das folhas que já passaram (e olhe lá). Alguém escreverá o prefácio ao finalizarmos este livro chamado VIDA, à nós nos cabe as pequenas escolhas que vamos fazer pelos próximos segundos, minutos, horas, dias e anos…

Eu já tenho em mente pelo menos uma coisa que quero contar:

– EU FIZ A DIFERENÇA POR ONDE PASSEI!

Ao refletir sobre o que é a vida e as escolhas que podemos fazer, uma “chave” roda em nossa mente. Acredite nisso. É o que alguns livros chamam de “mindset” ou mentalidade. Eu chamo de mentalidade médica avançada.

Uma vez virada esta “chave”, você passa a ter uma vida mais consciente, planejada até onde é possível, e enriquecedora para você e para a sociedade.

(Qualquer dia conto mais sobre minha história com detalhes e o motivo pelo qual optei por empreender em saúde e contribuir com o avanço da Telemedicina aplicada ao ensino no Brasil.)

Já imaginou você daqui há 60 anos? Imagine-se com alguns quilos à mais, talvez uma dorzinha no joelho esquerdo (HD: Artrose?), provavelmente com cirurgia de catarata agendada para próxima semana, pois a visão já não está tão legal. Neste exato momento previsto no futuro, você está na sala onde costuma assistir televisão na sua casa. Ainda antes de ligar a TV, mas já com o controle remoto na mão, o seu neto, estudante de medicina do segundo ano, motivado por uma obrigação acadêmica estimulada por um dos professores na universidade onde ele estuda te questiona:

– O QUE VOCÊ FEZ DA VIDA VÔ (ou vó)?

Qual resposta você gostaria de dar?

Convido a você pensar sobre isso por alguns segundos… e se achar que vale a pena, estenda esta tarefa por minutos, horas ou quem sabe, pense sobre isso pelos próximos dias. Certamente suas escolhas, após este período de reflexão, serão bem mais conscientes, precisas. Sua sensação de felicidade e qualidade de vida deve aumentar também.
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Ahhh… sobre o que falei no início do texto. Vou dizer agora o que aconteceu com os acadêmicos.

Bem, os relatos foram incríveis. Eles iniciaram a atividade em busca de contemplar um compromisso acadêmico, e talvez alguns poucos tenham feito apenas isto, mas tiveram a oportunidade de conversar com pessoas com ricas histórias de vida e com isso aprenderem com aqueles que já viram muito da vida. Se eles (os idosos) “escreveram” uma boa história de vida? Não nos cabe julgar. Vamos gastar energia com variáveis controláveis por nós. Podemos fazer muito para melhorar a vida deles através da nossa profissão médica.

E retomando mais uma vez a reflexão que estimulo ao compartilhar esta crônica:

– Nossa VIVA é feita de cada um dos segundos em que optamos por fazer algo, ir ou não ir para algum lugar, amar ou odiar, sorrir ou chorar, sentir ou imaginar, a história que vamos contar um dia está sendo escrita neste exato momento.

O QUE VOCÊ ESTÁ ESCREVENDO AGORA NO SEU LIVRO DE VIDA?

Isto é Profissão Médica, isto é medicina.

Pense, apenas!

[Se você conseguiu ler este texto completo PARABÉNS! Gostaria conhecer esta criatura fora da curva!. Deixa ai seu comentário aqui abaixo…]

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Sobre Daniel Coriolano

Daniel Coriolano possui graduação em medicina pela Faculdade de Medicina de Juazeiro do Norte (2011) e residência médica em Medicina de Família e Comunidade pela Universidade Federal do Ceará – UFC (2013-2015). O médico também é diretor executivo da Núcleo M.D., empresa de eventos de desenvolvimento profissional e pessoal na área da saúde. Atualmente também é professor da graduação em medicina da Universidade de Fortaleza.

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10 Comentários

  1. Ana Carolina

    Adorei o texto,me fez refletir e pensar no caminho que devo seguir,entre outras coisas…
    Medicina,- sonho!! 😍 Um dia chego lá!

  2. Rodolfo dos Reis Carvalho

    Li até o final, e a propósito muito bom texto. Curso segundo ano de medicina aqui na Argentina. Aborda exatamente algumas reflexões que tenho feito!
    Parabéns dr. Daniel e continue com o bom conteúdo!


  3. Sensacional Rodolfo! Obrigado por acompanhar. Fico feliz em contribuir e ajudar a consolidar suas reflexÕes. Abraços!

  4. Bruno Santana

    Reflexivo e construtivo!
    Excelente texto, Dr. Daniel!

  5. deraldo coutinho pereira filho

    Muito bom…..parabéns.


  6. Boa noite, Daniel Coroliano.

    Parabéns! Seus conteúdos são de extrema qualidade e relevância. Gostaria de entrar em contato com você. Teria, por favor, como você me disponibilizar seu email?

    Obrigado.


  7. Olá, dr.Daniel, sensacional, ótimo conteúdo, faz refletir bem sobre a vida,e principalmente como citado acima sobre os idosos,e hj muitos podem achar que não prestam p/nada mas eles tiveram uma juventude sim,acham fácil jogar um idoso no asilo,mas eles não pensam que um dia iram envelhecer,e que podem passar pelas mesmas coisas.Que esse conteúdo faça muitos ignorantes refletirem.
    Não sou estudante de medicina ainda,mas pretendo pois este é meu sonho,no momento estou cursando Direito, que tbm é uma ótima profissão, agarrei essa oportunidade, pois pode me ajudar mais tarde conseguir o que eu quero de vdd.

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